Wednesday, February 07, 2007

A última resistente verde cá em casa, se dermos desconto ao rapaz sportinguista (enfim, há que compreender, ninguém é perfeito). Na primeira ausência prolongada, a presença providencial de vizinhos proporcionou o albergue das plantas que teimavam em subsistir, apesar da minha fama de assassina botânica. Não gozem, faz favor, amo plantas. A sobrevivência tenaz do bambú faz pensar na tenacidade oriental. Sendo bicheza de água como eu, aguentou-se no vaso fundo, que conseguiu manter o líquido vital naquelas duas semanas fatais de abrasador Verão. Que é insuportavelmente quente por estas bandas.





Eu tentei, juro. Prestes a partir, enviei com desvelo de mãe a minha hortelã-pimenta para casa de um amigo, que prometeu encharcá-la em água todos os dias.
Perante a aparente distracção que o levou a não ma devolver, acobardo-me e não pergunto por ela, presumindo-a morta no seu varandim citadino.



Sinto a falta imensa de verde dentro e fora de casa. É que em casa - a casa casa - vive-se no jardim botânico. Uma autêntica selva, com caprichosas trepadeiras envolvendo e engolindo escadas, com mudinhas de espécies improváveis. Plantas, muitas plantas, por todo o lado. E mata-me a saudade deste verde corredor que vai ter ao mar. Lá longe. Pouca lonjura para uma pequena Europa. Mas longe, porque estão sempre demasiado longe os afectos que não estão ao alcance da íris e do braço que afaga.




2 comments:

Fernanda said...

Kanu,
nossa...eu também sou uma assassina de plantas. Quando ganho algum vasinho, logo que vem a cabeça:coitadinha, vai morrer em breve. Tem pessoas que tem mais facilidade de lidar com elas, eu deifinitavemente, nao sou uma delas. Mas que sinto falta de mais verde em casa, ah, isso sim...

carolina said...

Adoro Hortelão!
Como-a! Ponho hortelã em tudo quanto é sopa.
Experimente. Ficam uma delícia!