Thursday, October 12, 2006

cartas por enviar




Há cartas escritas para que nunca sejam enviadas. É assim. E é talvez um espectáculo degradante de auto-comiseração, falta de coragem ou, por oposição, algum bom senso.
Escrevemo-las devido ao nosso instinto de sobrevivência. Porque as palavras, aquelas palavras, não podem, não devem, não conseguem permanecer ali por mais um segundo que seja. Têm de fluir, seguir um curso, que seja tortuoso, que importa, os rios acabam por ir dar com o mar, por muitas curvas que encontrem no caminho, apesar do Zé Mário Branco dizer no seu FMI que o rio chega a São Pedro de Moel e nunca consegue desaguar, mas essa é uma outra história. O bom senso impede o envio quando o coração teme que as palavras sejam demasiado duras. Ou definitvas. Ou que cortem cerce qualquer esperança.

3 comments:

quel said...

há tempos tento escrever uma carta simples, só um resumo do último mês - não consigo.
Há um tempo para as cartas e não sei se o bom senso tem a ver com isso.
Será?
:-*
(o teu texto é lindo)

quel said...

meu Deus, tenho uma amiga patricinha!
:D

kanuthya said...

Obrigada **
Mas se essa sou eu, é mesmo só a versão beta do blogger! eheheh