Sunday, December 06, 2009

Victor Jara Poema 15

Friday, October 16, 2009

Ex-líder de KKK - Johnny Lee Clary

Sunday, August 30, 2009

um dia no mês forte do estio


Da paz em companhia de mar santo.


Dos recantos que se fazem nossos.



Das irmãs na sombra, sonhos com sol.


Dos passos em conjunto, mesmo quando sós aparentam estar.

Monday, July 20, 2009

Travadinha 'Mar'mila'

Saturday, July 11, 2009

Língua-mãe

volto a ser pequeno
como dantes para ir para a escola
onde aprendi os números e as letras
as ciências e as línguas.
mas desta vez não aprenderei
nem letras nem línguas
nem ciências nem números.

aprenderei a ouvir o povo das sanzalas
dos dongos dos rios das canoas do mar,
nos musseques e no morro da Maianga
as velhas contando coisas doutras eras.

que me interessa saber a língua de Voltaire,
de Goethe e Shakespeare,
se não sei o cantar das glebas negras?

se não sei o dizer dos marimbeiros,
os tocadores de tchingufos e kisanjis
quando entro calado pelos quimbos?

e o dizer compassado dos batuques
os cantos ritmados das massembas
as histórias do povo e as lendas do passado?



Henrique Guerra

Sunday, June 07, 2009

Psst

(photo by Zerodaj, letssingit.com)

Importam-se de sair de cima da minha cabeça?
Grata pela atenção.

Tuesday, May 19, 2009

Tê-los no sítio

xabcpetwear.merchantquest.net

Quem zwela assim, não é gago.

Wednesday, April 22, 2009

onírica idiota

(lagranepoca.com)

Após uma madrugada desesperadamente em busca de uma avenca que a namorada do meu irmão tinha de ter, e de ver míseros vasinhos com amostras da dita planta (sendo que eu ia adicionando à interessantíssima conversa que a minha mãe, um primor com flores, desgraçadamente nunca tinha tido sorte com avencas, e que é uma pena, uma vez que também as adoro), entremeada com a escolha de um suporte para vasos em macramé (sendo que a minha cunhada também queria muito um feito por mim, em criança...), a última madrugada de sonhos foi passada tentando consertar um despertador que não se calava. Eu mexia-lhe, outros tentavam a sua sorte, mexíamos nos interruptores, abríamos o despertador. E nada. Ele continuava berrando.
Geralmente tenho perfeita noção de que estou a sonhar, mas desta vez estava empenhadíssima em calar o despertador, sem me ter ocorrido que este efectivamente era o presente no meu quarto, aos prantos.

Sunday, April 19, 2009

Portishead - Roads

Wednesday, April 01, 2009

David e Golias


Até quando poderei ver traineiras?

Sunday, March 08, 2009

hoje

Quem me conhece sabe bem que não sou de datas. Este poema, porém, enviado por uma querida amiga, é tão belo que não fica para amanhã.
Fazias anos hoje, E. E eu, que não sou de datas, como sabes, até me lembro disso.

Hoje,
Só canto para as Mulheres:

As que passam na rua,
Aquelas que não saírem
Para a rua, as que se encontram
Na cozinha, no escritório,
Ao balcão, na enfermaria,
Na cadeia, no convento,
Na escola, no gabinete,
Na empresa, no sindicato,
No campo, no parlamento,
No lupanar ou na igreja,


Orientando o tráfego dos homens,
Chorando o filho morto pelos homens
Ou o filho feito à força pelos homens,
Lavando a roupa suja dos seus homens
Ou consertando os nervos rebentados,
Pelo silêncio-garra dos seus homens,


Essas Mães inconsoláveis
das Praças todas de Maio,
As mães de inocentes mortos
às ordens de homens-herodes,


As mães fiéis junto às cruzes
Que homens-pilatos ergueram,
Mulheres, Mães, virgens-loucas
De todos os noivos-machos,
Primas, amigas, vizinhas
De casa, de luta e sonho,
De raiva, de crença e vida,
Companheiras, inimigas,
Minhas irmãs, minha Mãe.


São Mulheres? Hoje basta.
É dia oito de Março:
Dia de eu pagar a renda
à Mulher-Mãe desta casa
Para onde há muitos anos
Mudei ao deixar a sua.
Por isso é que eu hoje canto
Só para as Mulheres: na rua
Ou noutro lado qualquer.


Salve, Mulher e Mãe! Amén!
E seja o que Deus quiser.


Lopes Morgado

Saturday, February 14, 2009

doces furtos, nº qualquer coisa

in erasmuspc.com

"Primeira Descrição de um Filme Verdadeiramente Indescritível
Retirado de um primeiro treatment de Der Himmel Über Berlin (As Asas do Desejo)



E nós: espectadores, sempre, por toda a parte,
voltados para tudo e nunca lá p'ra fora!
1



Primeiro, mal podemos descrever alguma coisa, a não ser um desejo ou desejos.
Assim se começa, quando queremos fazer um filme, ou escrever um livro, ou pintar um quadro, ou compor uma música, ou, de resto, inventar alguma coisa.
Temos um desejo.
Desejamos que pudesse haver alguma coisa e depois trabalhamos até que isso exista. Desejamos acrescentar alguma coisa ao mundo, alguma coisa mais bonita, ou mais verdadeira, ou mais exacta, ou mais útil, ou simplesmente alguma coisa diferente de tudo aquilo que já há. E logo no começo, em simultâneo com o desejo, imaginamos também já alguma coisa diferente daquilo que já há ou, pelo menos, vemos relampejar alguma coisa de diferente. Caminhamos depois nesta direcção em que vemos uma luz, na esperança de não nos perdermos pelo caminho e de não esquecermos ou trairmos o desejo inicial."


1) versos das Duineser Elegien, de Rilke, tradução de Paulo Quintela



É como o amor. Sendo que, apesar de as musas abandonarem por vezes o artista, o primeiro dá merda com mais frequência.

p.s. Obrigada, Professora T.

Tuesday, February 03, 2009

uma surpresa bonita e um empurrão meigo e necessário :)

E eis que sou apanhada de surpresa por uma onda que me vem despertar de tão longa inactividade, lavando a cara da sem-vergonhice da quebrada promessa aqui feita, de voltar etc e tal. Já deviam saber que não sou de confiança.
Alguém com um nome como o da senhora que me entregou este simpático prémio só pode ser boa gente. :)

Eis as regras deste prémio, atribuído apenas a mulheres:

1 - Exibir a imagem do selo
2 - Escolher seis mulheres diferentes a quem entregar o Blog de Ouro
3 - Deixar um comentário nesses blogs para que saibam que ganharam o prémio

As minhas escolhas :)

Quel - Terrabrasilis
Jo Ann - Chez Jo Ann
Jessica - Cartas à Filo-Sofia
Nanyca - Zwel' aí Nanyca
Ali - Austin to Africa, Brazil to the Bay
Fernanda - Viajar na Viagem

Tuesday, November 25, 2008

So long, beautiful Sangoma...

Miriam Makeba







Thank you for bringing beauty and meaning to this world.



Monday, November 24, 2008

de las noches de viento e mañanas de hielo



As matinas em Madrid vão mostrando os traços do frio que a noite deixou, finíssimas camadas de gelo abraçadas às telhas.
Em frente, uma vizinha cobriu suas flores com capas de plástico, tentando adiar o momento em que os vasos nas suas janelas dependurados deixarão de ter fortes cores, contrastando com a alguma monocromia dos edifícios.
Esta noite o vento das montanhas prestou visita impetuosa ao vale, sobressaltando a vizinha, que se interroga se as plásticas protecções resistirão...

O ser humano conseguiu, de facto, fazer de seu habitat qualquer ponto no globo, praticamente, e os agasalhos foram-se tornando cada vez mais sintéticos e poderosos. Eu não acompanhei essa evolução do homo sapiens, não pelo frio, que não impera, pelo menos por enquanto, de forma forte por aqui, nesta cidade de que bem gosto. Madrid é a capital mais alta da Europa. Definitivamente, apesar de passar tempo considerável na lua, eu sou marinha, e o meu corpo grita-mo com veemência, zangando-se quando por paragens mais altas me aventuro.
Calma, meu mar oceânico que teimo em chamar de mar, e sei que gostas de tal. Já vou.

Thursday, October 23, 2008

da gestão do acondicionamento de itens comprados

As listas de supermecado serão, aparentemente, vistas por algumas almas como orgíacas, vergonhosos bacanais (os decentes são os pratos fundos de esparguete), misturando itens de convivência improvável. Nunca soube o que era a convivência improvável.

Num momento muito escuro, há que aclamar com olés e palmas andaluzas quem nos faz rir ou sorrir.
Num momento muito escuro, há já um bom tempo, aproximo-me da caixa registadora do supermercado, apressada, apresentando umas caixas de gelado, sabores sortidos, como me havia sido solicitado (os minúsculos cubos de caramelo enterrados na cama do doce de leite, a antecipação da luta da colher de sopa em busca dos cubos, a batalha à mesa para ver quem os apanha) e pacotes de pensos higiénicos.

Sou toda pela poupança de sacos plásticos e pela preservação dos meus dedos, gelados pelo gelado. Atiro, eco-economicamente, as parcas compras para um saco.
A moça da caixa atira os seios para cima da superfície, alçando a voz em descrédito e genuína preocupação.
Então não sabe que nunca se juntam os pensos a congelados?! É que se não... ficam mesmo gelados, percebe?

Senti a boca abrir e as palavras a chegarem velozes, traqueia acima, e num inusitado impulso de compaixão quase quase mudava a vida daquela mulher, explicando-lhe as maravilhas dos pensos e das cuequinhas colocadas no congelador. Depois contive-me e agradeci-lhe.
Não é todos os dias que demonstram tanta preocupação pela nossa mais-que-tudo.

Sunday, October 05, 2008

Amado

(helenice.com)

Fazias-me moinhos para que eu corresse no terraço que me parecia imenso, e hoje sei não ser tão grande, mas aos olhos da criança é tudo grande, como deves recordar.

Fazias-me moinhos e móveis para que brincasse. Um pequeno guarda-roupa, que a avó completou com toque de ouro sobre azul, encontrando cabides minúsculos, onde se podiam suspender as minúsculas roupas. o Guarda-roupa tinha duas portas e uma gaveta. Dizes que não? É assim que o vejo, e sei bem que não te importas. As tuas preocupações escapavam em muito aos comuns. Aéreo e pragmático. A estranha combinação que creio ter de ti herdado, apesar de não bater tantas vezes contra as coisas como tu, que via sempre com curativos.
Há já algum tempo, um bom escriba, presente nas linhas alheias, escreveu algo lindo, aquando da partida de uma familiar. Duas curtas frases, caixa fechada, sem direito a comentários, sabiamente. Dizia (perdão pelo roubo descarado, D.): "Foste um anjo. És uma estrela."

Eu não sei se foste um anjo. Para mim, estiveste perto. Conheci-te de poucas palavras, as pronunciadas certeiras. Calavas ou dizias justamente o que pensavas. E, estranhamente para alguns, tal não diminuía o respeito e carinho que te votavam. Nem mesmo quando, numa qualquer tarde de Domingo, uns parentes se sentavam na sala, após terem devorado a minha farinheira, lançando para o ar mil e uma narrativas. A tua mulher viu-te levantar e dirigir para a porta, empalideceu e perguntou, a medo, Mas onde vais tu? E tu, com sorriso e o mais plácido ar, Vou para o terraço, que não tenho paciência para estar sentado a ouvir mentiras e disparates.

Fazias-me moinhos para que eu pensasse que corria nos braços do vento, como é de direito que uma criança pense.

Tinhas lendária fama de lunático. Muitos dias, que a mim pareciam ser todos, levavas-me a passear e brincar na rua. O mundo lá fora que eu conhecia pouco, os outros miúdos, que não conhecia, crescia com adultos numa terra estranha. Todos os dias me deixavas fazer parte do percurso por cima de um muro, que separava a estrada e passeio de uma quinta. As árvores do pomar atreviam-se, e espreitavam para o passeio, e eu tinha sempre de tocá-las, sentir a rugosidade da casca do ramo, tocar o verde das folhas. Que me faziam alergia, para depois chegares a casa e ouvirmos os dois que eu não podia tocar-lhes. No dia seguinte já havias esquecido mais um desses pormenores que os outros lembram. Eu agradecia e calava, enquanto tu, sorrindo como se fosse sempre a primeira vez que te fizesse tal pedido, me ajudavas a subir para cima do muro, que percorria de mão entrelaçada na tua.

Já um ano se passou, Amado. Já que, por um mistério, não fiquei, nem ficámos, nós que tanto o queríamos, com o teu nome, tomo-o para mim, e sei que não te importas e ficas feliz com o meu orgulhoso roubo. Um teu colega de juventude brincava com o teu sobrenome, dizendo, Aí vem o que antes de o ser já o é. Pelos vistos afinavas, eu que nunca te vi com nada afinar, de tal forma que decidiste que ninguém faria piada com os sobrenomes dos teus descendentes, se de ti dependesse.


Não ouvi de ti um queixume. Jamais te tinha visto doente. Sequer combalido. pensaram ainda, no início, talvez, que não soubesses o que se passava. Sabias. E a tua dignidade e amor por nós foi tão imensa que fingiste não saber.
De vez em quando penso que te vou levar ou dizer quando aí for. Depois recordo.
Prometi na altura que só contigo podia aqui regressar. Já passou um ano. E há pouco tempo, compreendi que, como criança, fazia de conta que não partiste, enquanto não o escrevesse.
Tem prontos para mim, avô Amado, os moinhos. Quero correr e pensar que ainda tenho muito que correr até ter de parar. Mesmo que não seja assim.
Até logo.



Saturday, December 29, 2007

Nota

A todos os que foram deixando mensagens, a todos os que me escreveram preocupadamente. Obrigada. Dizia o Eduardo Pitta há pouco tempo que o autor do blog assume um compromisso com o leitor. Não desaparecer, basicamente. Alguns, sabendo quem são, conhecem os motivos. Nada de discursos apologéticos. Tão somente, Obrigada.

Thursday, November 01, 2007

Grãos

Umas quantas jogadas de spelling bee, e para cada palavra certa, 10 gramas de arroz para populações carenciadas, através de um programa das Nações Unidas. Fácil, rápido, não dói. Alimenta.

Sunday, September 09, 2007

aparentemente.ainda.aqui.estou.