Friday, October 20, 2006

diálogo com alguém que julgava não desejar a clausura



- Partes, como de costume, de uma premissa errada.
- Como assim?
- Sofres somente por ti, nunca verdadeiramente pelos outros. Sempre, e só por ti.
- Não é verdade.
- Devias ter partido para uma ilha deserta. Nem cão levarias. Assim, não te davas com ninguém, não conversavas com ninguém, não vias ninguém. Não vivias lutos, não perdias pessoas, oportunidades, sonhos, autocarros que passam indiferentes ao teu acenar. Ninguém te podia ofender. É essa a solução, em última análise. És a pessoa mais egoísta que conheço.
- Porque digo que me doem demais os lutos, ainda mais aqueles de pessoas que continuam vivas?
- Também. Por tudo.
- Mas não sofremos sempre em primeiro lugar por nós mesmos?
- Claro.
- Então em que sou tão detestavelmente diferente?
- És igual. A única diferença é acreditares realmente que és diferente.

4 comments:

quel said...

detestavelmente iguais.

Anonymous said...

Não sei o que se passa mas estou com dificuldade em por os comentários. É difícil encaminhá-los!
-sardinheira-

Anonymous said...

Bem, afinal seguiu...

Anonymous said...

interessante... e legal.