Tuesday, July 18, 2006


Voltava conduzindo, em zona de lombas que forçam a lentidão. Um bom pedaço longe de mim vi um cachorro na estrada, junto de um autocarro que aguardava que os passageiros tivessem os pés bem assentes no seu destino. Tive uns instantes de preocupação, até verificar que o cachorro havia desaparecido da zona de perigo. Um pouco mais adiante, cheguei à pequena rotunda perto de casa, o cachorro estava distante, correndo para atravessar a estrada na passadeira. Ri e achei piada, seguindo para o portão, de comando em riste. Quando estaciono, o mesmo cachorro está ao lado do carro, aguardando que eu saia. Muito deve ter corrido para chegar ali, ele que estava ainda a distância considerável do carro...Terá corrido ainda mais para ainda chegar a tempo de apanhar o portão aberto.
Pronto, cá vamos nós de novo... Estou proibida pelos que me são próximos de falar com cachorros e gatos que passem por mim na rua, sobretudo os primeiros, pois a hipótese de me seguirem é considerável, e as minhas companhias estão sempre a puxar-me para o lado praticozinho da vida, que sempre me escapa.
Ainda dentro do carro, verifico que o cachorro, apesar de não ter coleira, terá certamente dono. Sinto-me incrivelmente triste pensando que em Portugal essa não seria a minha conclusão, de todo.Tem um peso normal e bom aspecto. Pronto, assim já o poderei mandar embora de consciência mais tranquila (yeah, right...). Está naturalmente ofegante, faz um calor terrível, e pelo menos água gostaria de dar-lhe, mas já imagino o que depois se pode seguir, que inclui a minha expulsão do condomínio por estimular a presença de um animal na oh so lovely residência... Fui mandando o cachorro seguir seu caminho carinhosamente, o que como calculam não é a forma mais eficaz de o fazer. Eu primo pela ineficácia. O cachorro não só me seguiu com olhar lânguido até casa, como enfiou o focinho entre a porta e a arranhou para entrar comigo. Nos sacos de compras eu não trazia nada que o pudesse cativar, e fui eu quem o viu, não o contrário, na estrada. Ele só pode ter escutado os meus pensamentos. E tinha algo para me dizer, estou certa. Badamerda a praticidade...

9 comments:

Anonymous said...

Costumo espreitar:quiromancias.
Hoje fez-me recordar um cachorro que vi parado num semáforo à espera que passasse o "amarelo", o "vermelho, e só quando apareceu o "verde",é que atravessou.
Isto em 1970 em Toronto.
Também ri e achei extraordinário!
Teresinha Amoroso

Carolina said...

Em Sines também os cachorros já atravessqam na passadeira, sabia???
(Os "humanos" é que não.)
Já agora deixe-me dizer que a comentadora anterior é da Asas. É uma senhora amiga e "amorosa",nem só de nome.Já tenho falado em si e ela chegou ao seu blog, certamente, através do meu.
Gente nossa,portanto!

kanuthya said...

Teresinha É sempre bem-vinda :)

carolina adoro bicharada...
Já tenho visto comentários da senhora amorosa no seu blog. Espero que se continuem a reunir, produzir e partilhar coisas bonitas :)

Carolina said...

Ah!, é verdade adorei o seu "badamerda".
É sempre tão útil em certas situações!!
:)

Sininho said...

A porta estava aberta e entrei, peço desculpa, mas adorei este blog, vou voltar em breve...

kanuthya said...

sininho voa até este canto quando desejares, sem pedir licença para entrar nem pedir desculpa :)

Ali la Loca said...

"badamerda" foi uma expressão nova pra mim - sempre aprendo algo passando pela tua página.

Acho que eu não teria coragem de fazer o cachorro desandar, não. Eu teria dado alguma maneira de contrabandeá-lo pra dentro da residência. Sou "soft" demais com bichos, ainda bem que não encontro muitos na rua aqui...

Muito engraçado o cão atravessar pela passarela!

_+*A Elite in Paris*+_ said...

Ouh la la, porque nao podes ter caes? a tua metade nao gosta? ou é imposto pelo condominio? bom, sendo practico, se tiveres um cao, por exemplo, ja nao podes viajar com tanta frequencia como viajas. Mas o sentimento fica.

Badam**** ? nao conhecia :) mas adorei :)

Beijos!

kanuthya said...

ali la loca e Jess "badamerda" é uma palavra cada vez menos utilizada. Por vezes dá jeito, embora eu diga palavrões muito raramente, não por afectação, mas por questão simples de energias. Mas eles existem, e têm o seu contexto próprio :) Creio que o cachorro me seguiu por sermos kindred spirits somehow, mas ele tinha dono :)
Esta residência não proíbe animais, se bem que se eu para cá trouxesse por uns tempos (tão fortes são as saudades) o cachorro da minha mãe, teríamos problemas certamente, ele ladra a horas impróprias, além disso seria crueldade, a casa é pequena e ele está habituado a espaço (e a uma variada panafernália de coisas para estragar...)
O principal motivo para não ter um animal aqui é o espaço, mas também as viagens...não gosto de os deixar em canis, só com pessoas de quem eles gostem e que os amem também. eu sou tão chata a falar de animais que podia fazer um blog com entradas diárias só sobre eles :)