Monday, July 03, 2006

Caramba


bandeiras lusofonia
Originally uploaded by Kanuthya.




A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria,
Tenho mátria
E quero frátria.
Caetano Veloso



Já a 1 de Fevereiro de 2006 (raios partam o html)recordei como nasceu a paixão. Este fim-de-semana perseguiu-me a reflexão, insistente, impiedosa, das que não dão descanso. A amiga Ali questiona se outros povos colonizados apoiam os seus colonizadores da mesma forma que os moçambicanos o fazem. Ah, eu atrever-me-ia a dizer que noutros locais talvez o façam mais ainda. Moçambique sempre teve uma forte influência anglófona, mas isso é assunto para outros tempos. É complexa a questão, e não raramente encontramos uma relação de amor-ódio nestes meandros. Diziam-me ontem que também certamente os países de expressão francófona festejam em uníssono com terras gaulesas. Lamento, mas creio não existir comparação possível com o que se passa no mundo lusófono. E hoje, na ressaca da meditação eufórica de fim-de-semana, outro amigo reafirma amor, carinho e fascínio por esta língua, ele que fala a que chamamos la bella lingua.
Nunca esqueci uma crónica de Mia Couto, que lamento não poder recuperar para dar como referência aqui. Estava-se então no início da década de 90, falava-se crescentemente na lusofonia, nos PALOP, nos acordos ortográficos. Mia, na sua sabedoria, desejava um encontro, em vez de um encontrão. Já houve encontrão que chegasse. Prepotência de mãos dadas com a ousadia, vergonha, actos inomináveis, assassinato, escravatura, subjugação sexual. Houve também (talvez excepções felizes)humanismo, coração aberto, miscegenação que partiu do coração e não da força, mistura de corpos, odores, sabores e sons.
Quero minha mãe assim, com muitos, muitos filhos. Não há nada como ter irmãos.



5 comments:

Effe said...

crediamo fortemente nelle parole che costruiscono altri mondi possibili

kanuthya said...

Le parole sono l'inizio effettivo dei cambiamenti, la faccia visibile delle idee. Saramago, nel suo Ensaio Sobre a Cegueira (da voi Cecità - mi fanno arrabiare certe scelte della traduzione, anche se questa non è tanto grave)parla, naturalmente, del non vedere, ma secondo me non sappiamo soprattutto ascoltare.

Ali la Loca said...

Adorei o post, estava esperando o fim-de-semana inteiro para escutar mais alguma coisa de ti. Acho que eu estava em sintonia com você, de alguma forma captando as suas meditações e pensamentos, pois eu também não conseguia parar de pensar no assunto.

Linda a letra do Caetano, e os sentimentos da Mia Couto idem.

Será que essa mãe aceita filhos adotivos??????

quel said...

wow. Eu hoje também falei da língua mãe.
Deve ser influência do Effe.
:)

kanuthya said...

ali la loca, nos braços desta mãe cabe todo o mundo que a ame, como tu :) Ainda hás de ceder um pouco até com aqueles que falam com gravilha na boca LOL - escreverei só para ti, coitada, que terás paciência para me ler. Fico triste pensando nos maus exemplos que terás encontrado por aí, e no meu regojizar futebolístico até esqueci os péssimos exemplos luso-falantes que encontrei mundo afora, e saí, como onça ferida, em defesa exagerada :) grande beijo

quel,influência do effe, sim, com todo aquele carinho pela nossa língua. Caramba, e com tanta mátria, estou com umas saudades filhas da mãe da minha mãe!