Ibrahim
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A Rosa de Hiroxima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Vinícius de Moraes
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11:47 AM
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Aproximam-se certamente as tempestades de Verão, semelhantes às africanas no troar que me faz querer esconder debaixo da cama. Como o sentido prático cá acampa de vez em quando, dir-se-ia que a cama encontrada fazia já parte de uma terapia conveniente ao ultrapassar de medos, japonesa e rasteira, fica-se sem fuga. Não esperava topar com raios destes no Mediterrâneo, ou daqueles, melhor dizendo, uma vez que ainda não nos visitaram este Estio, apenas se fizeram ouvir na sua imponência a vários quilómetros de distância, um dia destes, como visitas régias que levam banda à frente para nos irem preparando para a chegada. Os temporais e enxurradas de Verão têm uma característica peculiar por aqui: não diminuem o calor pegajoso, que se cola a nós como uma segunda pele, o ar mantém-se pesado, pesadão, um fardo tremendo.
Venham, pois. Cá vos espero.
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É um título de uma canção da Gal, escrita pelo Ary Barroso e Vinicius de Moraes, e existe um risco real de muita da música que por aqui vier a passar ser feita no Brasil. Faz-me sentir mais perto de uma casa que busco desde que me lembro de ser gente.
Mas nada disto tem a ver com o post, eu é que mudo constantemente de tema. Já era bem tempo de encontrar um dicionário de Língua Portuguesa on line que fosse minimamente decente, aqui - http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx.
Avé.
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12:02 PM
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Eis a oportunidade de conjugar dois prazeres e colmatar falhas. Inicei a leitura de Equador, e sinto-me já embrenhada, tão pouco avançada que vou no enredo, no paço de Vila Viçosa, na recordação amarga de um Mouzinho de Albuquerque, em enleios que me recordam queirosices (sem que este último termo tenha algo de pejorativo, antes pelo contrário), em descrições de ceias faustosas apropriadas ao barrigudo do D. Carlos, que era habilidoso, como vemos aqui ao lado. Sabiam muitos, os fazedores das modas da época, um traseiro espevitado cai sempre bem na figura delicada de rendas alvas.
É que ele há gente tão preguiçosa e mimada, que aguarda que se escrevam romances para estudar melhor períodos históricos.
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11:20 AM
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Tiram-te a venda
e entre paredes de lágrimas
aprendes que não existes ainda.
És apenas devir.
Natália Correia
Pescado de um de dois volumes gordos que não resisti a trazer comigo, O Sol nas Noites e o Luar nos Dias.
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12:34 PM
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Buscando uma foto para ilustrar um post totalmente despropositado e nojento, ocorre-me visitar o site da Renova, sem fazer qualquer esforço para passar a publicidade, e, assim sendo, começo por agradecer-lhe os meus primeiros risinhos maquiavélicos do dia - vide www.renova.pt. Ele é uma nova visão dos rolos de papel higiénico, senhores e senhoras. Mas o que me fascina particularmente é o uso dos adjectivos, embora a expressão "Ligação emocional" me tenha ficado como ternurenta. De qualquer forma, agradecia que alguém me esclarecesse àcerca da fabulosa afirmação encontrada na secção Lenços:
"Os lenços Renova são práticos, coerentes e funcionais."
Lenços coerentes... genial. Adiante. (Isto bem visto é mais marcha-atrás, mas pronto...)
Levantam-se vozes nobres e indignadas perante as questões kármicas que nos assolam, não aceitando o sofrimento como necessário à aprendizagem, sendo de verificar que de facto esse sofrimento nos faz aceder ao mais primordial de nós mesmos, transformando-nos em homens das cavernas uma vez mais, quando nos sentimos acossados, agredidos, empurrando-nos a empunhar as mais duras armas, a fazer mais sangue, ou, no caso de almas menos dadas a deixar escapar primordialidades, a escondermo-nos num cantinho escuro e esperar que a tormenta amaine, para depois sairmos da gruta e verificar os estragos.
Estranho que, impulsiva e feroz em palavras como tenho sido, e mais já o fui, nunca tenha tido grande tendência para me revoltar.
De qualquer forma, posso acrescentar que as mais terríveis dores de cabeça me abandonam quando finalmente sangro do nariz. E sim, tem toda a razão, this post sucks.
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Ora bem, se tenta perceber que raio me passa pela cabeça, desista. Há coisas bem mais interessantes a fazer.
Em breve chatearei alguém para me poupar tempo (como se não o tivesse de sobra), e introduzir algo que se torna essencial para dar sentido a alguns posts. Se já sabes que és tu, esconde-te, enquanto ainda tens tempo.
Ando fascinada com as novas aquisições para casa, roubadas ao lar paterno, e sobretudo materno, que é assim uma espécie de feira da ladra sem itens roubados, uma vez que a única ladra lá sou eu, de objectos, memórias, estórias, sendo que as últimas são levadas sem pedir autorização. Num egoísmo extremo, inclino-me numa vénia sentida a quem se lembrou de inventar essa coisa extraordinária que coa o meu café palanka negra e que perfuma as minhas manhãs desse odor único que é o do bom café. Ele há vantagens fantásticas na vida, como comprar o café ao senhor que trabalhou em nobre torrefacção angolana.
Mais pormenores domésticos inúteis em breve. Talvez.
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12:25 PM
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2:29 PM
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Todo Este Céu
abraça-me bem
e cobre o meu corpo
enfim
nesse agasalho
são os teus braços
sim
cuida de mim
basta-me um gesto
porém
abraça-me bem
bem no teu colo
chega-me mais a ti
um pouco mais
suavemente
assim
tudo por fim
são mágoas
que eu consolo
bem no teu colo
todo este céu
de pássaros e tons
muito assombrado
traz o teu ser
tão bom
todo este som
desce a nós
com um véu
todo este céu
lançado à terra
sobre restingas e ilhéus
mil sombras de asas
lembram a ausência
de um deus
num último adeus
pois só teu afago
me espera
lançado à terra
e qualquer coisa acontece
no mais alto dos céus
qualquer coisa no fundo
do meu coração
mas não sei das trevas
nem da luz
pois sem ti não há
nem céu
nem chão
e se a noite já ronda
minha cruz
luz nas trevas
minha paixão
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Obrigada por não me teres deixado cair dos braços em miúda.
O obrigada não chega é para tanta coisa bonita que fazes.
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Voltei.
zzzzz.
Amanhã devo voltar mesmo.
zzzz.
Até jázzzzz.
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{1} Tamanho total dos arquivos do meu computador
O meu computador...errr conceito interessante: um está num armário com disco arranhado e arreganhado para mim, até eu voltar e lhe dar uma sova, tem muita música, recordo, isto é, muita para mim, uma insignificância para gente com pcs dignos desse nome com memórias de jeito; vou adicionando mp3 a pc alheio que uso, devem ser uns 2 gigas...mas muita coisa foi gravada entretanto.
{2} Último disco que comprei.
Nick Cave & The Bad Seeds, Abbatoir Blues / Lyre of Orpheus.
{3} Canção que estou a escutar agora.
Dizzy Dizzy, dos Can, nos ficheiros recheados do meu mano, que costumam reservar boas surpresas e que frequentemente me fazem referir, como quem não quer a coisa, Ah, o que seria dele se não tivesse tido a minha iniciação musical...
{4} Cinco discos que ouço frequentemente ou que têm algum significado para mim.
Os do Fausto, que já não escuto há algum tempo, mas ainda bem que mo lembram, vou roubá-los já e levá-los comigo, a saber, e sobretudo, Por este Rio Acima, Crónicas da Terra Ardente e O Despertar dos Alquimistas, Mystery White Boy, do Jeff Buckley, Ar, Danças Ocultas. (São tantos...tenho que referir desrespeitando quantidades: Caetano Veloso, vários...)
{5} Lanço o repto a outros bloggers.
Não lanço...Não tenho grande jeito para interrogações. Acho.
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kanuthya
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