Showing posts with label muro das lamentações. Show all posts
Showing posts with label muro das lamentações. Show all posts

Wednesday, April 01, 2009

David e Golias


Até quando poderei ver traineiras?

Tuesday, May 22, 2007

Desta vez é por aqui que entrarei.


Fotografia de David Letts



Foi nesta cidade que passei parte da minha infância. Após a viagem descendente, a cidade continuou morando em mim. A minha bagagem é sempre pesada, mesmo quando engana largamente as balanças de check in.



Fotografia de Paulo Mendonça

Bela além do que palavras podem dizer.



Fotografia de Paulo Mendonça

Desabafo do dia: se ouço mais alguma vez (dou o desconto e refiro-me tão somente ao dia de hoje, que isto tem que ser levado um dia de cada vez) que "este é o país que temos", a minha orientação zen, reforma interior de nativa de Escorpião, tentativa de caminhada para uma vivência mais espiritualizada, enfim, tudo isto ficará seriamente comprometido, dado que me inclino seriamente para a possibilidade de vir a praticar sevícias ao meu próximo, sendo que os próximos se encontram relativamente a salvo pelo facto de estarem longe de mim, isto é, de estarem no tal "país que temos". O país que temos é feito por nós, e estou fartinha de ouvir essa porra. Deixem-se de queixas infindas, cabrões. Têm um país deslumbrante de tão lindo que é, tem muitas dificuldades, como muitos outros locais, tem muito menos dificuldades que vários outros locais no planeta, façam a vossa parte, que é o que vos cabe, em vez de bradarem aos céus tantos direitos sem deveres alguns. É triste que sejam poucos a amar essa terra, ao ponto de vir esta badameca que nem aí nasceu, e nem sequer dessa nacionalidade se considerou até muito tarde, vir dizer isto.

Tuesday, February 13, 2007

Escutando e não podendo partilhar Portugal, Portugal, de Jorge Palma

Ouvi ao longo dos anos chamarem-me portuguesa de segunda, digo, branca de segunda. Não foram muitas as vezes. Não há, por parte dos enunciantes, culpa alguma dos eventuais escaldões que brindam algumas lusas peles que de celtas guardam mais marca epidérmica. Porque não sou dada a escaldões, apesar do claro tom poder induzir em erro. Se vermelha fico, tal camarão cozido, dura um, dois dias. Depois fico castanha. Como me convém, fica bem e dá ar saudável. Sou então, em tempo de estio, linda morena, muito obrigada. Estou-me a cagar para o tom de pele. Gosto de paletas variadas em sentidos diversos, e, apesar da miopia, a íris cansada mas dotada de alguma inteligência agradece a diversidade. Porque nela cresci e me fiz. E nela criarei filhos, se os vier a ter.
Ora descubro há dias atrás, praticamente em cima da hora, que de nada me serviria ir até ao consulado mais próximo exercer um DIREITO e DEVER.
Os cidadãos com nacionalidade portuguesa que se encontrem, por qualquer motivo que seja, ou pelo período de tempo que for, fora da nossa faixa estendida junto do Atlântico, não puderam votar no referendo sobre o aborto. Disseram os senhores de toga, apoiados por partidos políticos, que não fazia sentido esses mesmo portugueses(?) se manifestarem sobre um assunto que não lhes dizia directamente respeito, não os afectaria, visto não usufruirem do sistema nacional de saúde.
Mas para eleger governo, deputados para assentarem cús, digo, arraiais no Parlamento Europeu e afins, para isso estamos cá, a bem dizer. Nem sequer me dou ao trabalho de perguntar por que porra não posso votar. Eu, que nem sequer anulei, e disso faço questão, a minha inscrição como eleitora no círculo geográfico que continuo a considerar casa, no litoral alentejano. Fá-lo-ia este Domingo, para poder obedecer à minha consciência e votar.

Wednesday, February 07, 2007

A última resistente verde cá em casa, se dermos desconto ao rapaz sportinguista (enfim, há que compreender, ninguém é perfeito). Na primeira ausência prolongada, a presença providencial de vizinhos proporcionou o albergue das plantas que teimavam em subsistir, apesar da minha fama de assassina botânica. Não gozem, faz favor, amo plantas. A sobrevivência tenaz do bambú faz pensar na tenacidade oriental. Sendo bicheza de água como eu, aguentou-se no vaso fundo, que conseguiu manter o líquido vital naquelas duas semanas fatais de abrasador Verão. Que é insuportavelmente quente por estas bandas.





Eu tentei, juro. Prestes a partir, enviei com desvelo de mãe a minha hortelã-pimenta para casa de um amigo, que prometeu encharcá-la em água todos os dias.
Perante a aparente distracção que o levou a não ma devolver, acobardo-me e não pergunto por ela, presumindo-a morta no seu varandim citadino.



Sinto a falta imensa de verde dentro e fora de casa. É que em casa - a casa casa - vive-se no jardim botânico. Uma autêntica selva, com caprichosas trepadeiras envolvendo e engolindo escadas, com mudinhas de espécies improváveis. Plantas, muitas plantas, por todo o lado. E mata-me a saudade deste verde corredor que vai ter ao mar. Lá longe. Pouca lonjura para uma pequena Europa. Mas longe, porque estão sempre demasiado longe os afectos que não estão ao alcance da íris e do braço que afaga.