Friday, June 08, 2007

pré-viagem telepática

Há clausuras felizes que não aprisionam.
Fotografia de Nicole Pey
(Mosteiro dos Jerónimos)


E há igrejas de facto singulares, em que nos sentimos mais perto do céu.
Fotografia de Carla Batolomucci
(Igreja do Carmo)


Uma antiga professora muito viajada jurava que as cidades mais belas do mundo eram Dublin e Lisboa. Quem sou eu para contradizê-la?





Friday, June 01, 2007

A história da Hope

Tuesday, May 22, 2007

Desta vez é por aqui que entrarei.


Fotografia de David Letts



Foi nesta cidade que passei parte da minha infância. Após a viagem descendente, a cidade continuou morando em mim. A minha bagagem é sempre pesada, mesmo quando engana largamente as balanças de check in.



Fotografia de Paulo Mendonça

Bela além do que palavras podem dizer.



Fotografia de Paulo Mendonça

Desabafo do dia: se ouço mais alguma vez (dou o desconto e refiro-me tão somente ao dia de hoje, que isto tem que ser levado um dia de cada vez) que "este é o país que temos", a minha orientação zen, reforma interior de nativa de Escorpião, tentativa de caminhada para uma vivência mais espiritualizada, enfim, tudo isto ficará seriamente comprometido, dado que me inclino seriamente para a possibilidade de vir a praticar sevícias ao meu próximo, sendo que os próximos se encontram relativamente a salvo pelo facto de estarem longe de mim, isto é, de estarem no tal "país que temos". O país que temos é feito por nós, e estou fartinha de ouvir essa porra. Deixem-se de queixas infindas, cabrões. Têm um país deslumbrante de tão lindo que é, tem muitas dificuldades, como muitos outros locais, tem muito menos dificuldades que vários outros locais no planeta, façam a vossa parte, que é o que vos cabe, em vez de bradarem aos céus tantos direitos sem deveres alguns. É triste que sejam poucos a amar essa terra, ao ponto de vir esta badameca que nem aí nasceu, e nem sequer dessa nacionalidade se considerou até muito tarde, vir dizer isto.

Thursday, May 10, 2007

lufada



Sopram novos ventos! Eu por mim abro os braços em cruz e acolho-os, fortes rajadas que me despertam ou leve brisas que me embalam.

Tuesday, May 01, 2007

coisas boas. porque são precisas.

Chegou a minha estação favorita. Vem já demasiado quente, a desgramada. Os campos estão rubros de papoilas e eu amo essa visão. Pois, bem sei que a foto não é dos campos rubros, mas não me deu muito jeito tirar a fotografia correspondente enquanto curvava e contra-curvava os ditos campos.
Mas quem disse que eu não gosto de nada por estas bandas?
Eu? Ups. Ma dai, não é bem assim...
Gosto muito de não ver animais abandonados. Eles existem por aqui também, claro. Mas em menor escala. Incomparavelmente menor.
Os felinos versão portátil escapam mais facilmente da segurança responsável dos seus companheiros de duas patas. Por isso são os que acabo encontrando mais nas minhas passeatas.

Ah, a cedência de uns segundos para a pose. Que enfado...
A mestiçagem é linda :D

Faz-te à estrada, pá. O que é de mais enjoa.

Wednesday, April 18, 2007

memories. too many of them

Pixies - Where is my mind

Tuesday, April 10, 2007

Orgulhosamente só

(cognitiva.net)


Disclaimer:
1. Picardia engraçada sim, parvoeiras violentas não, se faz favor;
2. Passemos ao que interessa.

Ora bem, não me bastava ter crescido bem rodeada de lagartos. Agora moro com um. Todos temos o nosso karma a queimar.
Já cá estava isolada em terras gaulesas (no pequeníssimo círculo em que me movo ou arrasto) como a única benfiquista. Mas não bastava, ah pois não.
Ontem chegou uma... amiga futura, quiçá. Alguém que já conheço e que não me provoca urticária, o que já é uma carrada de pontos a favor. Condescendo até a passear-me por supostos assuntos femininos, que também aprecio, não sou apenas uma maria-rapaz com os joelhos cobertos de cicatrizes de quedas monumentais de bicicleta, ah pois não sou. Até faço ponto cruz. Jesus, Maria, José. Adoro cozinhar. Pinto efusivamente os olhos desde os meus treze ou catorze anos, porra.
Agora, outra sportinguista...ah meu pai, tem dó, né?! Valham-me os santos todos... Até trouxe o respectivo cachecol para berrar junto do meu conversado. Snif. A coisa está tão dura para os meus lados que assistiu-se a algo inédito. A dar para a categoria do sobrenatural. Um simpatizante portista uniu-se a mim por pena. Diz que vai torcer pelo clube do meu coração no próximo derby. Vejo a coisa mal parada para o meu lado. A única coisa que consola é ter assistido a uma suposta aposta entre os machos que envolvia cortes de cabelo. Como não é o meu, estou nessa.

Monday, April 02, 2007

Telemarketing - dê-lhe com força


Nos comentários ao post anterior constava uma técnica a que também costumo recorrer. Aqui as chamadas inoportunas são de uma frequência insuportável.
Tenho geralmente um destes procedimentos:
- não atender sequer
- falar um francês incrivelmente macarrónico ( desisti do espanhol, pois nesta zona há vários descendentes hispanos e muitos gauleses que acham que falam um excelente castelhano - burp)
- levantar o auscultador e assim que ouço o Ouuuiiiiiiii, ou Alôooooooooo com a entoação que só os operadores de telemarketing têm, desligo sem pronunciar palavra.
Há, no entanto, outros métodos criativos. O pior são as chamadas em que atendemos e ninguém fala do outro lado. São chamadas efectuadas automaticamente, que se destinam a verificar tão somente os horários em que as vítimas se encontram em casa. Os dados são guardados e processados, para depois passarem às chamadas propriamente ditas. Não terei sido muito clara, mas prometo, quer queiram quer não, regressar a este assunto com as devidas dicas. Assim que conseguir encontrar as ditas cujas nos arquivos de mail...
Hoje deixo uma solução prática. Lamento não poder dar os créditos devidos, mas não havia identificação do autor...
"- Está?
- Está, estou a falar com o senhor Nuno?
- Sim...
- Sr. Nuno, aqui é da TMN, estamos a ligar para apresentar a promoção TMN 1.382 minutos, que oferece...
- Desculpe interromper, mas com quem estou a falar?
- O sr. está a falar com Natália Bagulho da TMN. Eu estou a ligar para...
- Natália, desculpe-me, mas para minha segurança gostaria de conferir alguns dados antes de continuar com a nossa conversa, pode ser?
- ...Sssssim, pode...
- A Natália trabalha em que área da TMN?
- Telemarketing Pró-Activo.
- E tem número de funcionária da TMN?
- Desculpe, mas não creio que essa informação seja necessária.
- Então terei que desligar, pois não estou seguro de estar realmente a falar com uma funcionária da TMN.
- Mas eu posso garantir...
- Além disso, sempre que tento falar com a TMN sou obrigado a fornecer os meus dados a uma data de interlocutores.
- Tudo bem, a minha matrícula é TMN-6696969-TPA.
- Só um momento enquanto verifico.
- ...???
(Dois minutos mais tarde)
-Só mais um momento, por favor.
- ...???
(Cinco minutos mais)
-Estou sim?
- Só mais um momento, por favor, estamos muito lentos hoje cá por casa.
- Mas, senhor...
(Um minuto depois)
- Pronto, Natália, obrigado por ter aguardado. Qual é mesmo o assunto?
- Aqui é da TMN, estamos a ligar para oferecer a promoção TMN 1382 minutos, pela qual o Sr. fala 1.300 minutos e ganha 82 minutos de bónus, além de poder enviar 372 SMS totalmente grátis. O senhor estaria
interessado, Sr.Nuno?
- Natália, vou ter que transferir a sua ligação para a minha mulher porque é ela quem decide sobre alteração de planos de telemóveis. Por favor, não desligue, pois a sua chamada é muito importante para mim...
(Pouso o telemóvel em frente ao leitor de CDs, coloco a música "Quero cheirar teu bacalhau" a tocar em repeat mode e vou beber um cafezinho...) "

Wednesday, March 28, 2007

spam

Todos conhecemos a chatice do spam, seja na nossa caixa de correio tradicional (onde de facto podemos pelo menos colocar um pedido Publicidade Aqui Não protegido por lei), seja na virtual. Aqui vim a ter contacto com as agruras de uma outra forma de melgar completamente as pessoas. O Telemarketing. Ele existe em Portugal também, pois claro. Mas aqui ultrapassa os limites da minha paciência. Enquanto não coloco em prática alguns passos muito úteis para evitar que me chaguem o santo juízo pelo telefone, lamento informar que grande parte das vezes não o atendo, sobretudo a certas horas.
As dicas virão no próximo post.
Hoje ficam as pérolas do dia, inaugurando uma categoria.
Fascinam-me os títulos dos mails de spam. Já as cartas da nobreza nigeriana que pede o nosso auxílio não têm piada nenhuma, pois costumam chegar escritas em inglês correcto.

"It conetoe in buckhead."

Monday, March 12, 2007

Manifesto medíocre mas com boas intenções

Não posso bradar aos ventos Morra o apóstrofo PUM PUM. O apóstrofo não partilha as culpas do Dantas. Ah, pois não. Porque eu amo o apóstrofo. Como tal, vejo-me no dever de o defender com unhas e dentes.
Substantivo masculino. Sinal gráfico indicativo da elisão de letra ou letras numa palavra.
Elisão, senhores e senhoras. Na língua portuguesa. E na inglesa também.
Querem fazer-me a delicadeza de parar de o usar nos casos mais disparatados?
O apóstrofo NÃO SERVE para indicar o plural. Em inglês é muito frequente encontrar casos de uso ERRADO do apóstrofo. Um conjunto de computadores pessoais não se designa como *PC's. Argh. Blurp. PC's= Do computador.
Isto é difícil? Não me parece. As hemorróidas são bem piores.

Wednesday, March 07, 2007

"You're not even a nigger. You're an African."

Soco no estômago.
Vergonha.
Continua, apesar dos "nunca mais". No Sudão, por exemplo.

Escutado: "Que culpa temos nós, ou que responsabilidade temos se se dedicam a massacrarem-se uns aos outros?"
Parece que a ideia é bastante flexível quando outros têm petróleo, diamantes...Aí organiza-se uma intervençãozinha.

Palavras que ficam e esfaqueiam a alma.
We're here as peace keepers, not peace makers.
You're not even a nigger. You're an African.

Sunday, February 25, 2007

A morte saiu à rua num dia assim....



Ah...entrei no blogger...por portas travessas, mas cá estou.
Escutava ontem abismada a lembrança da partida do Zeca há vinte anos atrás. Vinte anos. Acho que é a primeira vez na vida que me dou conta da minha idade. Que saudade.
Ficou frustrada mais uma tentaiva de ilustrar o post com a música, mas fica a lembrança da do título.

Tuesday, February 13, 2007

Escutando e não podendo partilhar Portugal, Portugal, de Jorge Palma

Ouvi ao longo dos anos chamarem-me portuguesa de segunda, digo, branca de segunda. Não foram muitas as vezes. Não há, por parte dos enunciantes, culpa alguma dos eventuais escaldões que brindam algumas lusas peles que de celtas guardam mais marca epidérmica. Porque não sou dada a escaldões, apesar do claro tom poder induzir em erro. Se vermelha fico, tal camarão cozido, dura um, dois dias. Depois fico castanha. Como me convém, fica bem e dá ar saudável. Sou então, em tempo de estio, linda morena, muito obrigada. Estou-me a cagar para o tom de pele. Gosto de paletas variadas em sentidos diversos, e, apesar da miopia, a íris cansada mas dotada de alguma inteligência agradece a diversidade. Porque nela cresci e me fiz. E nela criarei filhos, se os vier a ter.
Ora descubro há dias atrás, praticamente em cima da hora, que de nada me serviria ir até ao consulado mais próximo exercer um DIREITO e DEVER.
Os cidadãos com nacionalidade portuguesa que se encontrem, por qualquer motivo que seja, ou pelo período de tempo que for, fora da nossa faixa estendida junto do Atlântico, não puderam votar no referendo sobre o aborto. Disseram os senhores de toga, apoiados por partidos políticos, que não fazia sentido esses mesmo portugueses(?) se manifestarem sobre um assunto que não lhes dizia directamente respeito, não os afectaria, visto não usufruirem do sistema nacional de saúde.
Mas para eleger governo, deputados para assentarem cús, digo, arraiais no Parlamento Europeu e afins, para isso estamos cá, a bem dizer. Nem sequer me dou ao trabalho de perguntar por que porra não posso votar. Eu, que nem sequer anulei, e disso faço questão, a minha inscrição como eleitora no círculo geográfico que continuo a considerar casa, no litoral alentejano. Fá-lo-ia este Domingo, para poder obedecer à minha consciência e votar.

Saturday, February 10, 2007

give some love II

Dificuldades técnicas impedem a presença do vídeo aqui. Assim sendo, fica o link.
http://www.youtube.com/watch?v=kaXCu9q2k1w

Não me consta que tenha leitores em Moura ou arredores.
A maior dificuldade da Associação S.O.S. Animais de Moura reside na ausência de voluntários. Há alguns dias atrás, um dos corações grandes que ajuda estes animais dizia-me que ir lá é deprimente. Recordei-me de uma personagem que preciso rever o mais breve possível, apesar do sofrimento que traz. Billy(?) Kwan, do filme, The Year of Living Dangerously, desempenhada pela magnífica Linda Hunt. Uma frase sua persegue-me. What then to do. Escrevia ele isto num frenesim que martelava as teclas da sua máquina de escrever. Talvez alguns se sintam ofendidos pela comparação. Não a lamento. Nunca o farei. Sou um animal, tal como eles. Não valho mais do que eles. É isso que penso. É isso que sinto. É isso que digo e escrevo, e não me desculparei por tal.
Dizia Ghandi que a evolução de um povo se vê através da forma como ela trata os seus animais. A afirmação pode ser perigosa, se pensarmos nos nazis e seus sorrisos e alegria junto dos seus cães e cavalos.
Digo eu que Ghandi sabia muito bem do que falava, e que o problema não está na sua afirmação.
Voltando atrás, compreendo o que a alma amiga quis dizer ao afirmar que era deprimente lá ir. Creio, no entanto, que para quem tem algum tempo disponível ( e ele faz-se, também, consoante o nosso coração), pode ser uma benção. Pode ser triste ver animais que ali foram deixados, por vezes em tão mau estado. Mas que fazer então? Voltar as costas? Sentarmo-nos no sofá e ver mais um capítulo? Claro, podemos fazê-lo. A maior mentira circulando por aí é que nada podemos fazer. Podemos sempre fazer algo. Sempre. O que estiver ao nosso alcance. Isto vale, obviamente, para tudo. E não pedirei desculpas a quem me diz que é triste que me preocupe mais com cães do que com pessoas, porque quem isso diz 1. não me conhece; 2. não se conhece.

Se se encontra na referida zona e gosta de animais, visite a Associação, e decida se pode ajudar. Se os voluntários fossem suficientes, não haveria sobrecarga para ninguém.

Wednesday, February 07, 2007

A última resistente verde cá em casa, se dermos desconto ao rapaz sportinguista (enfim, há que compreender, ninguém é perfeito). Na primeira ausência prolongada, a presença providencial de vizinhos proporcionou o albergue das plantas que teimavam em subsistir, apesar da minha fama de assassina botânica. Não gozem, faz favor, amo plantas. A sobrevivência tenaz do bambú faz pensar na tenacidade oriental. Sendo bicheza de água como eu, aguentou-se no vaso fundo, que conseguiu manter o líquido vital naquelas duas semanas fatais de abrasador Verão. Que é insuportavelmente quente por estas bandas.





Eu tentei, juro. Prestes a partir, enviei com desvelo de mãe a minha hortelã-pimenta para casa de um amigo, que prometeu encharcá-la em água todos os dias.
Perante a aparente distracção que o levou a não ma devolver, acobardo-me e não pergunto por ela, presumindo-a morta no seu varandim citadino.



Sinto a falta imensa de verde dentro e fora de casa. É que em casa - a casa casa - vive-se no jardim botânico. Uma autêntica selva, com caprichosas trepadeiras envolvendo e engolindo escadas, com mudinhas de espécies improváveis. Plantas, muitas plantas, por todo o lado. E mata-me a saudade deste verde corredor que vai ter ao mar. Lá longe. Pouca lonjura para uma pequena Europa. Mas longe, porque estão sempre demasiado longe os afectos que não estão ao alcance da íris e do braço que afaga.




Tuesday, January 30, 2007

gagged, or an implicit list of complaints


Falou bem o Mega Ferreira referindo-se a Pessoa (a propósito da presença do mesmo nos dez finalistas para o programa O Maior Português de Sempre): escreveu sobre tudo, rigorosamente tudo. O que pensava, fazia-o escrevendo.
Quanto fico aquém. Uma inércia cristinina. Aqui, porém, soma-se a censura auto-imposta pelos olhares indiscretos. Olhares que não foram convidados pelo meu, mas sugeridos inadvertidamente, sem malícia. O cozinhado está pronto. É sempre possível adicionar-lhe sal quando o sentimos insosso. Quando o sal é demasiado, porém, não há muito a fazer, a não ser preparar água para lavar papilas gustativas.
Há algo bloqueando também o fluir destas letras em particular. Tenho uma necessidade absoluta de música para ilustrar alguns tópicos. Será simbiose ou parasitismo meu, que a maior parte das vezes recordo ou conjecturo através dos sons que me oferecem os músicos?
Enquanto a questão não se resolve, os sons ficam só em mim. E eu gosto de partilhar.

Saturday, January 27, 2007

give some love

Este venerando senhor chama-se Tejo. A foto foi roubada, mas por uma boa causa.
Circulam pela internet muitos pedidos falsos de ajuda, que nos enchem a caixa de correio electrónico, com pedidos sempre urgentes de sangue de tipo raro, de dadores de medula, de emails em cadeia que devem ser enviados a um número grande de pessoas para que os progenitores de uma criança doente possam receber dinheiro proveniente dos servidores de internet. A esmagadora maioria é fraude.
Há, no entanto, muita coisa a fazer, até na internet, se quisermos ajudar algumas causas.
Em breve estarão aqui links onde o poderá fazer.

Hoje peço somente que visite o site www.sosdosanimaisdemoura.com, que acolhe neste momento 133 cães, dos quais apenas 17 estão apadrinhados. Todos eles aguardam também adopção. A instituição atingiu um ponto grave, correndo sérios riscos de ter de encerrar.
Sei que poderá estar fartos de apelos. Muitos destes animais, além de abandonados ou rejeitados por não servirem os propósitos para que foram adquiridos, foram maltratados. Há muito que pode ser feito. Pode ser sócio por apenas 1, sim, leu bem, 1 euro por mês. Pode apadrinhar um animal, toda a alimentação para um mês custar-lhe-á 12 euros. Se viver na região, pode voluntariar-se para ajudar a tratar destas gentis almas.
Eis o link do tópico aberto num dos foruns da Companhia dos Animais, onde poderá conhecer melhor a dura situação vivida por esta associação e, oxalá, escolher levar um destes seres maravilhosos consigo, ou, se tal não for possível, pelo menos ajudar.
Bem hajam.

Friday, January 26, 2007

despir o olhar





Esta era a vista da varanda. De Verão, certo, admitamos. Em plena pujança da folha.


Há dois dias que sou despertada pelo som inconfundível de uma moto-serra. No Inverno passado podia ter-se dado uma desgraça na propriedade por trás da residência, com a queda de árvores durante tempestades que assolaram a região. O verde era tão intenso no meu campo visual que nem no Inverno eu havia vislumbrado a casa que se escondia por trás de venerandos pinheiros cuja idade não me atrevo a imaginar.


Imagino que terão bons motivos - sobretudo de segurança - para cortar as - creio - centenárias árvores, mas não deixa de me doer. Muito mesmo.


Agora, pelo menos por enquanto está assim...


Tuesday, January 16, 2007

Sophie's Choice


Raras vezes prolonguei tanto uma leitura amada. É certo que o livro é relativamente extenso, mas o stretching foi consciente, destinado a alongar o prazer da leitura. Um raro caso em que a adaptação cinematográfica é magnífica. No livro, porém, e como seria de esperar, fico a conhecer muito melhor Sophie, as suas outras escolhas em tempo de terror. Terror que não termina com desembarques heróicos, com libertações de campos. Terror gravado na pele, muito além de números no pulso.
Já no final, acrescenta-se um outro meu terror. O vocabulário de Styron é rico, pleno de lemas pouco comuns no inglês coloquial, assim como de termos em outras línguas, yiddish, alemão, francês. Surge-me então algo que me faz piscar os olhos, já incerta do funcionamento de neurónios a hora tardia, preocupada com a escassa luz. Terei lido bem? "auto de fé", escreve Styron. Sou confrontada depois com o que me é dito ao lado, "deve ser espanhol, naturalmente". Não. Não é. Fé não tem acento em espanhol. É portuguesa, a expressão. Consequência de leituras impressionantes que terá feito sobre a Inquisição lusa. Porque muitas leituras fez sobre a perseguição já milenar a um povo. Como a muitos outros. Elie Wiesel recorda-nos o que foi dito aquando da revelação ao mundo dos horrores dos campos de concentração da Guerra II. Já não há numeração romana que valha à catalogação de horrores. Disse-se, na altura: Never again. Há que divulgar e conhecer, ousar tentar, apenas tentar, compreender. Um pouco que seja. Para não repetir. Para aprender.
Não adiantou de nada.
Continua. Não noticiado. Todos os dias. Aqui, por exemplo, www.darfurgenocide.org/.

Tuesday, January 09, 2007

O que os ventos trazem



Não, não é o projecto espacial russo.

É mais uma maravilhosa iniciativa movida pela energia eólica deste


Como não amar o vento, ainda que gélido, violento, seco ou quente, quando é ele que empurra as barcas pelo mar afora? O meu mar, como sabem.

Navegar é preciso.