
Não faço ideia se o filme de Caveh Zahedi passou em terras lusas.
De Jonathan Demme. Maravilhoso. Pesado. Não aconselhado a paranóides declarados.
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Já não lia José Lins do Rego há uns bons anos, após Riacho Doce e Cangaceiros. Cada um deixa-me sempre a doce vontade de ler tudo o resto que ele nos deixou. Tenho um estranho fascínio pelo sertão nordestino. Recordo a primeira vez que entrei na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Minto. Já lá tinha estado umas outras duas vezes,talvez, meu avô e minha tia levaram-me várias vezes a visitar diferentes locais no polo. Recordo agora especificamente a primeira vez que lá entrei já como estudante. Devo lá ter ido em busca de algum artigo obscuro, necessário para preparação de matéria. De que matéria se tratava, não faço a menor ideia, visto que uma vez lá entrada me deparei com os maravilhosos arquivos arcaicos, dispostos segundo diferentes tipos de organização, é certo. Pouco tempo depois já lá estavam, claro, os computadores dispostos ao longo de longuíssismas pareds, mas confesso que apesar de ser grande - e eficiente, if I may add - utilizadora dos mesmos, tomava conta de mim a vontade de discorrer com dedos as antigas fichas de catálogo. Corredores de autores, corredores temáticos. Os meus propósitos de estudo foram naturalmente por água abaixo. Em vez de buscar Goethe ou a clausura progressiva das vogais do português europeu, finquei pé junto das gavetas letra S, sertão, saciando sede de secas terras. E foram tardes fantásticas, aquelas, como as eram também no Instituto de Estudos Brasileiros, esse já dentro da faculdade, imersa nas aventuras de Dadá e Corisco, Virgulino e Maria Bonita, nas canções que imortalizavam os feitos do cangaço.
(ilustração de literatura de cordel nordestina)
Topei com esta breve crónica do autor, e não pude evitar, na minha neurose inofensiva para terceiros (segundo informações a que dou crédito)que me faz estabelecer relações entre tudo e mais alguma coisa, desejar escrever também algo com este título. Pronto, está bem, o adjectivo desapareceria, admito.
"Adeus, doce França
Volto hoje às minhas criaturas, aos rudes homens do cangaço, às mulheres, aos sertanejos castigados, às terras tostadas de sol e tintas de sangue, ao mundo fabuloso do meu romance, já no meio do caminho. Os dias de França me deram uma sensação de pausa, de espanto, de novos contactos sonhados desde menino. Vi terras por onde andaram os doze pares de França, os heróis do meu Carlos Magno, lido e relido como história de Trancoso. Vi terras do sul, o mar Mediterrâneo, o mar da história, o mar dos gregos, dos egípcios, dos fenícios, dos romanos. Mas o nordestino tinha que voltar à sua realidade, à realidade maior que a história do mundo, isto é, à história dos seus homens, dos cangaceiros brutais, carregados de vida bárbara, de instintos cruéis de uma força, porém, que não se extingue nunca, porque é a energia de uma raça de homens mais duros do que as pedras dos seus lajedos. Volto aos "Cangaceiros" e desde logo tudo o que vi e senti se refugia no fundo da sensibilidade, para que a narrativa corra, como em leito de rio que a estiagem secara, mas que as águas novas enchem, outra vez, de correntezas. Volto ao terrível Aparício que mata igual a um flagelo de Deus, ao monstruoso Negro Vicente, ao triste Bentinho, ao místico Domício, aos umbuzeiros carregados de frutos, aos mandacarus de floração de sangue, aos cantadores de estrada, às mulheres sofredoras, às noites de lua, aos tiroteios, ao crime e ao amor, à poesia barbaresca e vigorosa de um povo que é maior do que a terra que o criou. Volto contente e disposto a tudo. Adeus, doce França. Agora os espinhos me arranham o corpo e as tristezas me cortam a alma."
José Lins do Rego, in O Melhor da Crónica Brasileira, José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1997
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Disto falava a canção Haiti, que se pode revisitar nas auscultações. Forma destrambelhada de dizer que não consegui inserir à primeira o link para o devido post e que me aborrece voltar a tentar.
111.
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Sempre adorei mantas de retalhos. Coisas feitas com as mãos (vá, não sejam maldosos), com tempo e coração. Há algum tempo atrás a amiga Charlie Brown lançou este bonito desafio, inspirada pela leitura de How To Make an American Quilt, de Whitney Otto. Ainda não li o livro, mas de imediato recordei o filme.

Valem desenhos também, além de qualquer lavor. Mais detalhes aqui!
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(imagem do site da Difel, editora que não deixa de me desgostar com as pobres revisões de texto... a minha capa é diferente, anterior a esta... gostaria de pensar que os erros ortográficos desapareceram)
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try a little tenderness - Otis Redding
Uma das poucas coisas que consegui salvar do castpost.
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Ouvira por todo o lado da falta de reconhecimento pelas dádivas da vida. Tecto, calor providenciado pela natureza ou criado pelo homem, comida de levar à boca, água de saciar garganta seca, mãe, pai, irmãos, os restantes, os queridos e os nem tanto, os bons dias recebidos na rua, a possibilidade de acordar a cada manhã, ter pernas que a levassem a destinos segundo a sua vontade, mão de estender ao próximo, dedos de entrelaçarem dedos. Parecia haver até quem encontrasse amor e passasse por ele, com ele, através dele, para ele, sem um pensamento de graças. Não seria assim, não seria ingrata, sorriria de cada vez que visse uma minúscula flor romper o cimento, cada vez que o sol lhe amornasse a pele, reconhecida por cada gota de vida que lhe fora concedida. Agradeceu ter recebido o Amor.
Por isso, quando a vida escureceu, iniciou uma longa carta a um deus, diringindo-se-lhe sem maiusculizar qualquer letra incial, maiúscula só a raiva. A carta cresceu ao longo dos anos. A ira foi-se movendo, ora submergindo, ora irrompendo de águas coléricas e turvas, marés vivas que lhe rasgavam a pele dos dedos que escreviam, e a deixavam meses a fio largada como despojo trazido pelo mar. Uma bóia. Uma mancha de alcatrão. Um pedaço de cordame que não serviu para segurar barca. Caco de vidro verde ainda cortante, indiferente ao moldar macio da água.
Ameaçou o deus com canções de amores infelizes, tragédias de faca e alguidar
se acaso me quiseres sou dessas mulheres que só dizem sim.
Nunca lhe ocorreu enviar a carta, distraída que estava ao escrevê-la das suas ameaças de desconversão, pois nem por um momento imaginou que o deus não a estivesse lendo em tempo real. Nunca lhe ocorreu também agradecer ainda assim a vida vivida, o corpo e alma vividos, depois tudo de pernas para o ar, e a memória de lágrimas escorrendo pelo mero observar do sono do outro, que a ira nunca conseguiu apagar.
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categorias ficções
Errr...
Pois é, desde que mudei para a versão beta ( nota para amigas falantes de português do Brasil, em Portugal "beta" ´significa também patricinha :) ), torna-se evidente o aspecto positivo de o blogger não ser alguém com pescoço que me tente vampirescamente. Esganava-o, provavelmente. Gosto da adição de temas, etiquetas, mas deixei de poder carregar aqui a minha música. Não me interessa poder colocar aqui links consoante a possibilidade, e o castpost permitia-me colocar aqui a MINHA música. Ainda aparecerão dois ou três posts musicados, que por sorte já tinha transferido para o blog e guardado como rascunho. Se usam blogger e ainda não mudaram para a versão beta, saibam que o terão de fazer mais cedo ou mais tarde. Além da questão musical, a minha barra lateral de links e afins passou-se, o rapaz tem dificuldade em processar correctamente alguns caracteres e acentos latinos...
Isto tudo para dizer que tentarei fazer algumas mudanças, e que se entretanto tudo desaparecer, foi bom ter-vos conhecido :)
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Há cartas escritas para que nunca sejam enviadas. É assim. E é talvez um espectáculo degradante de auto-comiseração, falta de coragem ou, por oposição, algum bom senso.
Escrevemo-las devido ao nosso instinto de sobrevivência. Porque as palavras, aquelas palavras, não podem, não devem, não conseguem permanecer ali por mais um segundo que seja. Têm de fluir, seguir um curso, que seja tortuoso, que importa, os rios acabam por ir dar com o mar, por muitas curvas que encontrem no caminho, apesar do Zé Mário Branco dizer no seu FMI que o rio chega a São Pedro de Moel e nunca consegue desaguar, mas essa é uma outra história. O bom senso impede o envio quando o coração teme que as palavras sejam demasiado duras. Ou definitvas. Ou que cortem cerce qualquer esperança.
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1:18 PM
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categorias prelúdios de coisa nenhuma ou talvez nem por isso
Via Jo Ann
Pega no livro que se encontrar mais próximo de ti, vai até à página 18 e transcreve a quarta linha.
"Depois de perder propositadamente uma partida, reteve-o para outra." (A Incrível e Triste História da Cândida Eréndira e da sua Avó Desalmada, de Gabriel García Márquez)
Qual foi a última coisa que viste na televisão?
Notícias contam? Vejo mais coisas "gravadas", a última foi um episódio do Star Trek Voyager.
Sem verificar, que horas são?
20h30m
Confirma, são...
Wow! 20h33m (Quem me conhece sabe o motivo da minha surpresa...)
Além de ruído do computador, que escutas em teu redor?
Notícias... O Lula bla bla...
Que fizeste a última vez que saiste?
Fui jantar a um restaurante da Córsega. Os grelhados com molho de pimenta verde recomendam-se vivamente.
Que tens vestido neste momento?
Um vestido longo de malha em tons azuis.
Antes de responderes a este questionário, que estavas a ver?
O progresso da minha pirataria inócua e o correio electrónico.
Sonhaste esta noite?
Bastante. Com uma pessoa que não sei se continua viva. Veio ajudar-me, creio. espero que o tenha feito através do seu sonho, e não de outro local.
Quando riste pela última vez?
Ontem, ao ouvir uma gravação da Bandamecos, mais concretamente do Top do Miguelito. Sempre que ouço o Carlos Bastos a cantar choro de tanto rir. Aquilo não pode ser real. All that fado...
O que tens nas paredes da divisão em que te encontras?
Imagens emolduradas a preto e branco, uma de um porto de pesca para me lembrar de mim própria, a outra de gaivotas num areal e o mar revolto como fundo, uma composição de conchas feita por mim e... hum... ah, um quadro abstracto cheio de azul.
Viste algo estranho hoje?
Não separo muito o que vejo em sonhos do resto, logo, sim, bastante estranho. Além disso, a minha barriga.
Se ficasses multimilionária do dia para a noite, qual seria a primeira coisa que comprarias?
Incrível o tempo há que estou especada a olhar para esta pergunta, sem saber o que responder... Não estou certa de que isso seja negativo. Porra. Livrava pessoas que amo de alguns encargos; entrava numa livraria de minha eleição e saía de lá carregada sem culpas; abria casas de acolhimento e educativas em Angola.
Diz-nos algo que não saibamos.
As coisas que gostaria de escrever ficam guardadas para outros locais. Infelizmente tem de ser assim. Ah, francamente, Kanuthya, tens sempre de ser tão melodramática? está bem, pronto.Uma ou outra pessoa que lê isto já sabe, mas sou emetofóbica.
Se pudesses mudar algo no mundo além da culpabilidade e política, que mudarias?
Errr...culpabilidade? Algo me escapa. Para mudar tem de envolver política. Paz. Paz. Paz.
Qual o último filme que viste?
Hostage.
Que pensas deste questionário?
Tenho um fraquinho secreto e detestável por questionários...
Gostas de dançar?
Muito, mas só o faço em ambientes em que me sinta muito confortável. Quer dizer, pelo menos desde que deixei de consumir álcool.
George Bush ?
Eu disse que era emetofóbica...
Que nome darias a uma filha?
Clara.
E se fosse um rapaz?
Pedro.
Já pensaste em viver no estrangeiro?
Como é que uma pergunta tão simples pode ser retorcida por esta gaja...De certa forma, fui viver para o estrangeiro bem pequenina. Felizmente apaixonei-me por esse estrangeiro e ele tornou-se no lar possível. Já vivi fora sem pensar antes nisso, não houve tempo, como sucedeu também com a experiência actual. Mas nunca antes um estrangeiro me foi tão estrangeiro.
Que gostarias que Deus te dissesse à entrada do paraíso?
Vá lá, custou, mas valeu-te não te queixares muito. Agora segue em frente, estão ali os teus que vieram antes de ti, e não me esqueci do teu pedido, estão lá também os cachorros e toda a bicharada. Nada de moleza, porque daqui a algum tempo voltas. E não, não aceito subornos.
Que 4 pessoas poderão responder a este questionário nos seus blogs?
Ñão faço a menor... quem quiser.
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(Germano Almeida)
São três novelas, In Memoriam, As Mulheres de João Nuno e Agravos de Um Artista.

Esta é a tal casa do título, o Mindelo. Lá estão, reais e tangíveis, o Monte Cara de fundo das escapadelas conjugais da primeira estória, o Xê Nu onde se bebem copos e se escutam sons únicos, a boite Je T'Aime onde se bamboleiam moças.
Sonho com estas ilhas há muito tempo. Um conhecido meu, cuja opinião devo por força maior levar muitíssimo em conta, garantiu-me ser este o único local no mundo em que não tinha encontrado racismo. E outro ainda, como já creio ter escrito neste caderno de notas desorganizado, confidenciou-me a sua felicidade por a sua terra linda ser pobre, escapando a cobiças guerreiras.
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categorias leituras