Thursday, April 13, 2006

questãozinha técnica

Monday, April 10, 2006

argh


ratoeira
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Tempo Primeiro: Coitado, vejam lá se o conseguem pôr fora sem o matarem...

Tempo Segundo: Mateeeeem-nooooooo.

Desci ao inferno.

Tuesday, April 04, 2006

Schiavo morente


"Vi o anjo no mármore e esculpi até libertá-lo."

Michelangelo

Monday, April 03, 2006

Esboço para regresso

Parto e regresso para e de sítios plenos de gestos meus gravados.
A maior parte das plantas resistiu estoicamente à ausência do líquido vital, olha-me com desdém de rebento entrando na puberdade, que grita a sua individualidade à mãe esmagadora. Na varanda há apenas uma hortelã-pimenta, de ramos e folhas ressequidas, já rendida às pompas fúnebres, pressentindo as pernadas da familar ainda fresca num jarro com água, lá dentro, protegida do sol que começa a descer sem piedade de nada nem ninguém. É assim o sol neste espaço que ocupo, não permite sombra, entra por cada fresta e tudo ocupa. E queima. Precisamos as duas de sombra, menta arvensis.

Thursday, March 16, 2006

no marasmo em que este blog anda não havia necessidade de avisar...


pause
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sabores e aromas I


fresh_coriander
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Saturday, March 11, 2006

secrets


fin-books
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I read Dan Brown.

I find it entertaining.

Not going to ask if there's still hope for me.

Thursday, March 09, 2006


estrela
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Se continuasses preso às amarras do corpo terias feito anos ontem.

Tuesday, March 07, 2006

Lispector

Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

Clarice


clarice03
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Thursday, March 02, 2006

Prazeres

Foi bom passear de novo pelos areais de Mangue Seco.

Tuesday, February 28, 2006



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Monday, February 20, 2006


imbondeiro angola-saiago.net
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Imbondeiro solitário no deserto do Namibe.

(imagem: www.angola.saiago.net)

Tuesday, February 14, 2006

Pepetela

Serve para qualquer terra esta fábula, ainda que seja demasiado fácil ver na água lilás o que o solo angolano oferece. Um colega dizia-me, há muitos anos atrás, que agradecia, contra a revolta de compatriotas, o facto de Cabo Verde ser pobre. Tinha razão.


montanha água lilás
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Friday, February 10, 2006

Isto assim não rende

Oferecida por um querido anjo revoltado, que já não acredita em anjos. Pirosa ou não, a escrita de Mrs. McCullough escorre diante os olhos, foi-se em dois serões.


a casa dos anjos
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Wednesday, February 08, 2006

democracia celeste


mahomet-cartoon
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Publicado no France Soir de 2 de Fevereiro, cuscado em http://racosta.kevhosting.com/blog/.

Tuesday, February 07, 2006

a paixão do conde de fróis

Valha-me Santo Dicionário!

Magnífico trabalho de Mário de Carvalho, viagem a um linguarejar de outros tempos.


a paixão do conde de fróis
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Por todo o lado os comentários à crise originada pelas caricaturas.
Eu limito-me ao receio, e dou-me conta da relutância em escrever medo.

Monday, February 06, 2006


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Elis Regina - Velho Arvoredo

Wednesday, February 01, 2006

Lusofonia Peregrina

Conselho

Sê paciente; espera
Que a palavra amadureça
E se desprenda como um fruto
Ao passar o vento que a mereça.


Eugénio de Andrade


Parece que Viriato, pastor escolhido pelo seu povo para rei da Lusitânia, nascido num belo local chamado Serra da estrela, falava celta. No frio da serra, sentado diante o fogo, entre os planos de batalha e o contar sonhador de estrelas, poderia ele imaginar, nos poucos momentos em que repousava depois de batalha contra o império romano, que o seu povo viesse no futuro a falar uma língua criada a partir da que os seus adversários falavam?
Quase até à idade adulta, não me via como portuguesa, procurando aferrar-me a uma outra terra, a que me havia visto nascer. O plano não resultou bem, e a culpa, sim, a culpa, é da música, da poesia, da língua. Tinha razão o vosso amado Pessoa, a quem por vezes chamo Fernandinho, como imagino fazia Ofélia Queiroz, a destinatária de todas as ridículas cartas de amor.
A minha pátria é a minha língua. A frase comporta neste momento da minha vida um significado difícil de explicar. Não somos uma janela sobre o oceano, o último naco de terra do continente: somos mesmo um barco sempre prestes a soltar-se do frágil porto. José Saramago escreveu sobre esta Jangada de Pedra, a Península Ibérica separa-se do continente e vaga sobre as águas. Fiz da língua o meu barco e assim viajo livre num infinito feito de lugares, ajustando de vez em quando a vela dos sons, mais fechada a vogal aqui, mais aberta acolá; em Lisboa escuto a gíria dos miúdos, que não sabem que usam termos de Angola; do Brasil chegam-me as expressões que os portugueses já esqueceram, escuto e bailo ao som das mornas e colladeras de Cabo Verde e sorrio, pensando ser aquela a única nação do planeta onde não há lugar para o racismo, uma ilha como uma tela, onde todas as cores se mesclam em paz e beleza. Quiçá na impaciência de aportar no Índico, tomo como asas as sempre novas palavras de Mia Couto e voo até Moçambique, onde este escriba reinventa a língua nos seus contos feitos de terra cor de fogo, magos, gentes e animais, todos com voz própria. Dou voltas em contínuo, mas não há modo de começar a falar de Portugal sem primeiro narrar todos estes mundos, músicas e gentes distantes. É a Lusitânia feita de sons e odores, tornada Lusofonia, nação etérea sem fronteiras concretas. E como nas velhas histórias, narradas em verso para mais facilmente permanecerem na memória, esta nação errante impregna os sentidos, até quando se torna pele; não a chamamos de nossa, somos nós que lhe pertencemos.



* Escrito especialmente para a Sacripante! A escriba agradece a útil sessão de análise, gratuita e prazeirosa.