exageros
A leitura era acompanhada de angústia, convinha terminar logo. É que a sempre referida depressão do Holden espreitava-me a cada linha. Sendo a minha (e de muito mais gente, naturalmente) relação com livros visceral, alguns há que me provocam danos mais ou menos permanentes. Experimentei um atrofio inédito lendo A Convidada, de Simone de Beauvoir, uma mini-depressão com Os Demónios de Dostoievsky (sigo ordens médicas e só leio russos - bem, na verdade, quase qualquer autor do leste europeu - muito espaçadamente), e pesadelos horrificantes com Beloved, de Toni Morrison, mas a esta última regressarei em breve e sempre, é uma questão de pele e amor.
Nada de tão sério com The Catcher in the Rye, (em Portugal primeiro traduzido como Uma Agulha no Palheiro e , mais recentemente em reedição renovada, À Espera do Centeio). Num livro com linguagem simples, reconheço a dificuldade em traduzir o título, mas...Uma Agulha no Palheiro??? Tenham juízo, pá. Vêem? Holden pegou-me a intolerância que tanto combato. Falho, na esmagadora maioria das vezes.
Existe somente algo que não irrita Holden na vida, as crianças são as únicas que escapam do seu adjectivo favorito - tudo é "phony" (hoje em dia algo preterida em relação à variante phoney), só crianças lhe arrancam sorrisos, a ele que tem dezasseis anos.

(tira de Annette, em www.vskole.com)
Quando o questionam sobre o que realmente desejaria fazer na vida, apenas uma coisa lhe ocorre - desejava ser o catcher in the rye, num jogo de apanhada num campo de centeio, desejava ser quem os apanhava e impedia de cair no abismo que limita o campo de centeio.
(catcher in the rye, Diana Bryan)



- Oh pá, deixa-te de conversas!



























